ACESSO RESTRITO
Itaú BBA estima que aumento da demanda pelo medicamento terá efeito positivo no setor
O fim da patente do Ozempic, medicamento à base de semaglutida da Novo Nordisk, deve ter efeitos que vão além da indústria farmacêutica. Segundo o Itaú BBA, o lucro das farmácias na bolsa de valores pode crescer até 15% com uma maior oferta de remédios com o princípio ativo. As informações são da CNN Brasil.
De acordo com a instituição financeira, além do efeito direto no varejo farmacêutico, outros setores – como os de proteínas, bebidas alcoólicas e alimentos rápidos – também devem ser afetados. A empresa elenca os principais beneficiados da seguinte forma:
- Drogarias: as canetas devem aumentar a demanda e a rentabilidade. Empresas mais promissoras: RD Saúde, Pague Menos, Panvel
- Farmacêuticas: o genérico do Ozempic deve impulsionar as vendas. Empresas mais promissoras: Hypera
- Proteínas: pacientes tendem a aumentar o consumo de carnes e ovos. Empresas mais promissoras: BRF, JBS, Minerva
Lucro das farmácias na bolsa pode crescer já em 2027
Segundo o Itaú BBA, o lucro por ação das farmácias e das demais companhias citadas pode crescer até 15% já em 2027. Falando exclusivamente do varejo farmacêutico, a estimativa é que, até o fim da década, as canetas de semaglutida representem cerca de 20% das receitas, ante os atuais 8% a 9%.
Farmacêuticas se preparam para corrida por genérico
As farmacêuticas já se posicionam para a largada da corrida por um genérico do Ozempic. A patente do medicamento se encerra no dia 20 de março.
Em 2023, o análogo de GLP-1 – um dos mais conhecidos da categoria – registrou R$ 3,1 bilhões em vendas, o maior faturamento anual já alcançado por um remédio no país. Com o fim da exclusividade, os laboratórios nacionais buscam uma fatia desse mercado.
O setor de canetas injetáveis para controle metabólico movimenta cerca de R$ 11 bilhões ao ano. Com a oferta de genéricos, especialistas estimam que esse montante quase dobrará já neste ano, alcançando R$ 20 bilhões.
Mas há setores em alerta
Se os resultados são tão promissores para o mercado farmacêutico, outros setores não têm tanto a comemorar. A instituição financeira aponta que algumas grandes companhias podem registrar perdas em breve.
Levando em conta uma projeção mais agressiva de adesão ao tratamento no país, companhias como Ambev, M. Dias Branco e Camil poderiam perder até 2% do lucro líquido já no próximo ano. Isso porque, de acordo com estudos realizados nos Estados Unidos, os pacientes costumam cortar a ingestão diária de calorias em até 40%.
O atacarejo Assaí, por exemplo, já sinalizou que o avanço dos medicamentos análogos de GLP-1 é um “obstáculo real” para o crescimento das vendas nas mesmas lojas.
Fonte: Panorama Farmacêutico
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